Concurso Fotográfico 7 Maravilhas de Curitiba

By | February 17, 2011
1º Lembrança das Estepes

Concurso Fotográfico 7 Maravilhas de Curitiba

Foi-se a neve. E aos curitibanos restaram as geadas. E quantas são elas nos invernos rigorosos deste lado de baixo do Equador. A fotógrafa Aniele Nascimento que o diga. Acostumada a acordar cedo para registrar a geada, antes que os primeiros raios de sol derretam o gelo, ela tem na cabeça um roteiro de lugares que se pintam de branco nos dias mais frios do ano.



A maravilha preferida do público foi um flagrante experimental da geada no Memorial Ucraniano, no Parque Tingui. Aniele nunca tinha visto o frio daquelas bandas. Devia saber que os ucranianos que chegaram aqui estavam acostumados às baixas temperaturas e, nada melhor do que uma paisagem conhecida, para lembrar de casa. O memorial guarda, além do gelo das estepes, pinheiros, canteiros floridos e uma réplica da igreja ucraniana de São Miguel da Serra do Tigre, em Mallet.

2º Água Que Vem do Céu

No dia em que chovesse, o fotógrafo Jonathan Campos voltaria ali. A imagem estava pronta na cabeça: a torneira do painel de Poty aberta, derramando água, mais água vinda do céu e alguém passando exatamente no ângulo desejado portando uma sombrinha. E foi o que fez em um dia que chovia a cântaros. Correu para o Alto da XV e esperou. Não lembra direito quantos foram os minutos até que alguém surgisse para protagonizar a cena. E ele veio – um homem acompanhado do seu guarda-chuva e sua bengala – caminhando generosamente diante do painel. Aí foram tantos cliques quanto os necessários para casar personagem e enredo na cena perfeita.
3º Espelho, Espelho Meu


A graça de contar a história da cidade por meio de imagens é a de inserir-se nela como protagonista. E como tal, levar o olhar do espectador a viagens inesperadas. Para conseguir “mergulhar” a Igreja da Ordem no bebedouro, o fotógrafo Pedro Serápio aproximou-se e voltou para trás uma série de vezes, até decidir encostar a câmera na água. Ou quase, melhor dizendo, graças aos apelos de quem passava pela cena da foto. Mudado o ângulo, altera-se a perspectiva e, com ela, a cidade de todos os dias.4º Aos Pés de Um Pinheiro

Você já abraçou uma araucária e olhou para cima? Se não, repare nesta imagem e respire o ar que vem da mata. A Atlântica, de preferência, que guarda os espécimes deste pinheiro ameaçado de extinção. O que vem de quebra com a foto é um agrado feito por Albari Rosa: a sensação de vertigem, o barulho da floresta, os veios da madeira que convidam ao toque. Mostrar o que você nunca viu ou o que não teve tempo de reparar faz parte da poética provocativa da fotografia.

5º Tomando Fôlego

Será que vai dar praia? Olhe para o céu. Se não estiver cinzento a ponto de se desfazer em água, prepare-se e corra para o Barigui. O mais urbano e badalado parque da capital pode não ter ondas nem brisa, mas serve para ver e ser visto, caminhar e é um convite a ler um bom livro sob uma árvore. Para o pessoal da fotografia é também um referencial. Quer ver? Se chover demais, encharca e rende boas imagens, se gear também. E para falar da explosão imobiliária? Ora, estão todos os prédios lá, refletidos no lago. A sacada foi do fotógrafo Ivonaldo Alexandre, que ainda contou com uma capivara no enquadramento idealizado para a foto.



6º Caleidoscópio Urbano

O primeiro desses, o fotógrafo Antonio Costa viu há 20 anos. O céu alaranjado denunciava que algo diferente estava acontecendo. Era um arco-íris duplo, igual ao que se deitou sobre o céu da capital neste verão. Quando percebeu a mesma luz amarelada daquela vez e verificou as condições climáticas (chuva e sol juntos), Costa correu para pegar a câmera, tomou emprestada a lente 14 milímetros de um colega e vasculhou todas as janelas atrás da melhor imagem do arco-íris. A corrida contra o tempo foi ganhando obstáculos, o síndico do prédio vizinho, o elevador lento, os degraus que iam sendo atropelados até que os dois arco-íris surgissem, ao leste, um sobre o outro, com todas as suas sete cores. E, sim, eles estavam mesmo mergulhados em um céu naturalmente alaranjado.

7º A Florada dos Ipês

Ele dá boas vindas a quem chega em Curitiba e é a imagem que fica guardada na lembrança de quem vai embora. Como este ipê, da Rodoferroviária, uma beleza rara na cidade. Os da Praça Tiradentes não são mais tão frondosos e o do alto Bacacheri foi cortado. O fotógrafo Antonio Costa, que virou um estudioso da planta, refaz os caminhos da cidade mentalmente atrás de novos espécimes. Enquanto não acha, corre para o pátio da rodoviária a fim de registrar a chegada de mais uma primavera, das temperaturas mais amenas e das calçadas pintadas de amarelo. Por ali, a árvore se intensifica como símbolo desta capital e convida os viajantes a se esticarem sobre seus galhos atrás de um clique inédito.

Fonte e Concurso: Jornal Gazeta do Povo